Ansiedade de Informação de Richard Saul Wurman

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Ansiedade de Informação de Richard Saul Wurman
Ansiedade de Informação

Uma obra fundamental para compreender o design de informação, em Ansiedade de Informação: Como Transformar Informação em Compreensão de Richard Saul Wurman apresenta os conceitos e desafios do designer que deve organizar e facilitar o aprendizado em um mundo com cada vez mais estímulos e informações.

Considerado uma das principais obras da arquitetura da informação, o livro é uma referência no aprendizado de técnicas sobre como tornar um sistema de muitos se tornarem de poucos.

Citações selecionadas

Se não fizer sentido para você, a denominação informação não se aplica” (WURMAN, 1991, p. 43)

No tratado The Mathematical Theory of Communication [“A teoria matemática da comunicação”], publicado em 1949, e que constitui um marco no assunto, Caude Shanon e Warren Weaver definem a informação como aquilo que reduz a incerteza” (WURMAN, 1991, p. 43)

Como perguntar sobre algo se não se sabe como é chamado? Isto é ansiedade de informação” (WURMAN, 1991, p. 49)

Acessibilidade é a brisa que atravessa a janela do interesse” (WURMAN, 1991, p. 51)

E, como professor, desejo testar minhas ideias a respeito de como as pessoas aprendem a decodificar as vivências, principalmente aquelas que se baseiam na compreensão visual – forma, cor, relações entre os objetos e o espaço vazio” (WURMAN, 1991, p. 51)

Precisamos tratar a compreensão como uma atividade econômica e uma indústria em si, não apenas como um componente das outras áreas” (WURMAN, 1991, p. 58)

Sendo capaz de admitir que não sabe, você fica mais propenso a formular as perguntas que lhe permitirão aprender” (WURMAN, 1991, p. 60)

Se você está sempre tentando disfarçar sua ignorância sobre um assunto, nunca chegará a compreendê-lo” (WURMAN, 1991, p. 60)

Como o único meio que temos de compreender informação é através das palavras, números e imagens, as duas profissões que determinam primordialmente como a recebemos são a escrita e a arte gráfica. Contudo a orientação e o treinamento em ambos os campos estão mais voltados para aspectos estilísticos e estéticos” (WURMAN, 1991, p. 62)

Embora o papel dos artistas gráficos no fornecimento de informação seja fundamental, a maior parte do currículo das escolas de artes gráficas preocupa-se em ensinar aos alunos como fazer as coisas parecerem agradáveis aos olhos. Isto é posteriormente reforçado pela profissão, que concede prêmios principalmente à aparência e não a compreensibilidade ou mesmo à exatidão” (WURMAN, 1991, p. 62)

As formas de organizar informação são finitas. Ela só pode ser organizada por: (1) categoria, (2) tempo, (3) localização, (4) alfabeto, (5) seqüência. Estas formas são aplicáveis a quase qualquer projeto – desde as suas pastas de arquivo pessoal até as empresas multinacionais” (WURMAN, 1991, p. 65).

Categoria. Refere-se à organização dos bens. Lojas de varejo são normalmente organizadas desta forma, por tipos diferentes de mercadoria, ou seja, artigos de cozinha em um departamento e roupas em outro. A categoria pode significar diferentes modelos, diferentes tipos ou até mesmo diferentes perguntas a serem respondidas, como num folheto dividido em perguntas sobre uma empresa. Este modo presta-se bem para organizar itens de importância similar. A categoria é bem reforçada pela cor, ao contrário dos números, que possuem valor intrínseco” (WURMAN, 1991, p. 66).

Tempo. O tempo funciona melhor como um princípio de organização para eventos que ocorrem em intervalos fixos, tais como convenções. Também tem sido usado criativamente para organizar lugares, como na série de livros Um dia na vida (de um determinado país). Funciona com exposições, museus e histórias, seja de países ou empresas. O projetista Charles Eames criou uma exposição sobre Thomas Jefferson e Benjamin Franklin apresentada como uma linha de tempo em que os visitantes podiam ver quem estava fazendo o que e quando. O tempo é uma estrutura facilmente compreensível a partir da qual observar e fazer comparações” (WURMAN, 1991, p. 66).

Localização. É a forma natural de escolher quando você está tentando examinar e comparar informação vinda de diferentes fontes ou locais. Se estiver envolvido com um ramo industrial, por exemplo, pode interessar-lhe o modo como ele se distribui pelo mundo. Médicos usam as diferentes localizações do corpo como agrupamentos para estudar medicina. (Na China, os médicos usam manequins em seus consultórios para que os pacientes possam apontar o local específico de sua dor ou problema)” (WURMAN, 1991, p. 67).

Alfabeto. Este método presta-se muito bem para grandes conjuntos de informação, como as palavras de um dicionário ou os nomes de uma lista telefônica. Como a maioria decorou as letras do alfabeto, a organização alfabética da informação funciona quando o público ou os leitores abrangem um amplo espectro da sociedade que talvez não admitisse a classificação por outra forma, como categoria ou localização” (WURMAN, 1991, p. 67).

Sequência. Organiza os itens por ordem de grandeza – do menor ao maior, do mais barato ao mais caro -, de importância e etc. É o modo ideal quando se deseja conferir valor ou apelo à informação, querendo usá-la para estudar algo como um setor industrial ou uma empresa” (WURMAN, 1991, p. 67).

Gosto mais do espaço em minha escrivaninha do que dos objetos que estão sobre ela. Ele me faz enxergar mais nitidamente. Isto é yin/yang. Os opostos das coisas são tão fascinantes quanto as próprias coisas” (WURMAN, 1991, p. 80).

A melhor maneira de concluir um projeto é definir sua finalidade essencial, seu objetivo mais básico. Qual o objetivo a ser alcançado? Qual o motivo para iniciá-lo? É aqui que reside a solução” (WURMAN, 1991, p. 89)

Existem duas partes na solução de qualquer problema: o que você pretende conseguir e como deseja fazê-lo. Mesmo as pessoas mais criativas atropelam essas questões, omitindo o que pretendem e indo direto para o como desejam fazer. Existem muitos “comos” e apenas um “o quê”. O “o quê” dirige os “comos”. Você deve sempre perguntar “o quê?” antes da pergunta “como?”” (WURMAN, 1991, p. 89)

Projetar refere-se ao como. Mas primeiro você tem de compreender o quê” (WURMAN, 1991, p. 89)

Se você não se perguntar o objetivo do projeto, suas escolhas tornam-se arbitrárias, e essa ansiedade gera uma sensação incômoda. Você fica, então, imaginando ansiosamente se não haveria uma solução melhor” (WURMAN, 1991, p. 89)

Ao contrário da escrita, as conversas não são limitadas por princípios de lógica, transição e clareza. A espontaneidade das conversas evita que elas sejam editadas até um nível de pureza estéril” (WURMAN, 1991, p. 93)

Chamava a janela de porta e a cesta de lixo de porta-chapéu, e as alunos aprendiam que as palavras não são absolutas; as palavras são a função que desempenham” (WURMAN, 1991, p. 121)

O que exatamente estamos tentando comunicar? Como poderia o leitor interpretar nossa mensagem?” (WURMAN, 1991, p. 123)

O impacto da mensagem se perde quando o leitor é distraído pela informação que não está presente” (WURMAN, 1991, p. 125)

O importante não é ter mais escolas, mas aprender; não é ter mais policiais, mas segurança; não é ter auto-estradas, mas mobilidade; não é inventar signos, mas comunicar. O importante é o desempenho, não o produto” (WURMAN, 1991, p. 131)

Seja paciente com tudo o que não esteja resolvido em seu coração. Tente amar as próprias perguntas. Não busque as respostas que não podem ser dadas, porque não lhe seria possível vivê-las. E o importante é viver tudo. Viver as perguntas agora. Talvez então, pouco a pouco, sem notar, em algum dia distante, você venha a viver as respostas” (RILKE apud WURMAN, 1991, p. 131)

Comunicar é lembrar como era quando não se sabia” (WURMAN, 1991, p. 138)

Assim como comer sem vontade faz mal à saúde, também estudar sem gosto faz mal à memória, que não retém nada do que recebe” (DA VINCI apud WURMAN, 1991, p. 145)

Nossos guias procuram oferecer múltiplos caminhos para o aprendizado” (WURMAN, 1991, p. 156)

Nunca acredite pela fé; veja por si. Aquilo que não aprendeu por si, você não sabe” (BRECHT apud WURMAN, 1991, p. 169)

E, no entanto, é no domínio do óbvio que reside a maioria das soluções” (WURMAN, 1991, p. 172)

O aprendizado comparativo, fazendo ligações entre uma informação e outra, é o conceito do qual derivo minha “primeira lei”: você só aprende o que tem alguma relação com o que compreende” (WURMAN, 1991, p. 180)

Entre os teóricos do aprendizado, isso é conhecido como apercepção, conceito proposto inicialmente no século XIX, definido como “um processo em que idéias novas se associam a idéias antigas já presente na mente”” (WURMAN, 1991, p. 180)

A teoria da apercepção diferia do ponto de vista anterior, que considerava a mente uma substância já formada, passível de ser educada ou treinada. A apercepção implica que a mente é como uma estrutura livre na qual as idéias podem ser penduradas” (WURMAN, 1991, p. 181)

Para os professores, isto significada não encarar os alunos como “folhas em branco” e trabalhar com experiências que estes já tivessem tido, para enriquecê-las e construir sobre ela” (WURMAN, 1991, p. 181)

Você tem que dar ao observador coisas que ele conheça” (WURMAN, 1991, p. 184)

Como um novo produto ou idéia pode ser relacionado a algo que o mercado já compreende?” (WURMAN, 1991, p. 185)

Para traduzir valores, os números precisam ser relativos àquilo que você possa entender” (WURMAN, 1991, p. 191)

Qualquer assunto amplo pode ser dividido em fatias. Cada fatia ajuda a compreender o que não se consegue captar como um todo. Se dividir um assunto, é pouco provável que ele possa subjugar você” (WURMAN, 1991, p. 193)

Isso é parte do processo de informação; você tem de construir a partir de coisas que compreende. As comparações permitem o reconhecimento. Nós reconhecemos a noite pela sua diferença em relação ao dia. Reconhecemos todas as coisas pela sua relação com outras coisas, pelo contexto em que estão” (WURMAN, 1991, p. 197) (WURMAN, 1991, p. 131)

Quem nunca falha, nunca ficará rico” (SPURGEON apud WURMAN, 1991, p. 214)

A aceitação do fracasso como um prelúdio necessário ao sucesso é imperativa para reduzir a ansiedade” (WURMAN, 1991, p. 215)

Histórias são um veículo para dar vida a fatos e números” (WURMAN, 1991, p. 253)

Contar histórias é uma outra forma de colocar a informação no contexto e de lhe dar o brilho dourado da memória” (WURMAN, 1991, p. 253)

Nossas percepções são invariavelmente polarizadas pelo nosso ponto de vista. Devido a essas limitações, elas são idiossincráticas; ninguém vê as coisas da mesma maneira” (WURMAN, 1991, p. 265)

A informação enriquece a percepção. É ela que distingue o processo fisiológico de ver, típico de uma câmara, do ato de perceber, típico da mente” (WURMAN, 1991, p. 275)

[…] os mapas não são os ambientes em si, e sim apresentações destinadas a mostrar um ambiente em sua ausência, apresentações destinadas a ‘representar’ de tal forma que possibilite ao leitor do mapa deduzir sistematicamente os atributos do ambiente mapeado” (WELTMAN apud WURMAN, 1991, p. 284)

[mapas] Podem dar sentido ao caos, definir o abstrato através do concreto e, de modo geral, funcionam como armas com as quais conseguimos dominar idéias complexas e números rebeldes” (WURMAN, 1991, p. 289)

Os mapas não são espelhos da realidade; são um meio para compreendê-la” (WURMAN, 1991, p. 310)

Uma torradeira entregue de caminhão não é diferente de uma entregue de pára-quedas. Mas se o produto é informação, o modo com é entregue afeta completamente sua forma” (WURMAN, 1991, p. 310)

Referências
WURMAN, Richard Saul. Ansiedade de Informação: Como Transformar Informação em Compreensão. São Paulo: Cultura Editora Associados, 1991.

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