Cultura da Interface de Steve Johnson

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Cultura da Interface de Steve Johnson
Cultura da Interface

Cultura da Interface de Steve Johnson aborda os elementos em torno da interface digital e como ela alimenta e é alimentada pela nossa cultura.

Com provocações e estudos bem estruturados, o autor faz uma leitura analítica sobre os principais desafios que o designer digital tem em sua rotina e na sua trajetória em desenvolver soluções para esse ambiente imaterial que mistura cultura e informação.

Citações selecionadas

[…] nossa memória visual é muito mais duradoura que a memória textual” (JOHNSON, 2001, p. 15).

Em outras palavras, a relação governada pela interface é uma relação semântica, caracterizada por significado e expressão, não por força física” (JOHNSON, 2001, p. 17).

Os seres humanos pensam através de palavras, conceitos, imagens, sons e associações. Um computador que nada faça além de manipular sequências de zeros e uns não passa de uma máquina de somar excepcionalmente ineficiente. Para que a mágica da revolução digital ocorra, um computador deve também representar-se a si mesmo ao usuário, numa linguagem que este compreenda” (JOHNSON, 2001, p. 17).

[É] curiosa a oposição entre ícones e menus, como se os dois fossem de algum modo antagonistas, em vez de aliados naturais” (JOHNSON, 2001, p. 45).

Na poética, Aristoteles definiu a metáfora como o ato de ‘dar a uma coisa um nome que pertence a outra coisa’. O elemento-chave nessa fórmula é a diferença que existe entre ‘a coisa’ e ‘outra coisa’. O que torna uma metáfora poderosa é o hiato entre os dois pólos da equação” (JOHNSON, 2001, p. 47).

A verdadeira mágica dos computadores gráficos deriva do fato de eles não estarem amarrados ao velho mundo analógico dos objetos. Podem imitar muito desse mundo, é claro, mas são também capazes de adotar novas identidades e desempenhar novas tarefas que não têm absolutamente nenhum equivalente no mundo real” (JOHNSON, 2001, p. 49).

[…] o excesso de informação pode ser tão danoso quanto a escassez” (JOHNSON, 2001, p. 67).

Não posso andar pelos subúrbios na solidão da noite sem pensar que a noite nos agrada porque suprime detalhes frívolos, exatamente como nossa memória” (JOHNSON, 2001, p. 68).

O cérebro não reserva um pedaço específico de território para a ideia de ‘cachorro’ e um outro para ‘gato’. As ideias emergem da ativação de milhares de neurônios diferentes, em combinações que se reorganizam a cada sutil alteração de significado. As conexões entre esses neurônios criam o pensamento; os neurônios individuais são meros tijolos” (JOHNSON, 2001, p. 89).

A Web tornou grande parte da visão de [Vannevar] Bush realidade, mas sua intuição central – a necessidade de um instrumento para a abertura de trilhas – continua irrealizada, pelos menos na Internet” (JOHNSON, 2001, p. 91).

[…] mas até que os usuários possam criar seus próprios fios de associação, haverá poucos desbravadores genuínos na Internet” (JOHNSON, 2001, p. 92).

(Certamente todas as grandes obras de arte possuem múltiplos níveis de significado, que são trazidos à tona pelas aptidões e inclinações do público que as recebe)” (JOHNSON, 2001, p. 93).

O surfe na Web tem a ver com profundidade, com vontade de saber mais” (JOHNSON, 2001, p. 96).

Se há uma genuína transformação paradigmática oculta em algum lugar nessa mistura – e acredito que há -, ela tem a ver com a ideia de janelas governadas pela semântica e não pelo espaço. Desde a demonstração revolucionária feita por Doug Engelbart nos idos de 1968, as interfaces gráficas recorrem à lógica espacial como princípio organizacional básico” (JOHNSON, 2001, p. 124).

Os dados por trás de determinado documento estão na verdade dispersos a esmo pela superfície magnética de um disco rígido; sua representação por um ícone único, singular, num desktop é um artifício, uma metáfora visual. Ele poderia ser igualmente representado por 20 ícones. Para todos os fins, os dados não têm lugar físico algum no mundo. Suas coordenadas espaciais no desktop são mero artifício, uma ilusão de óptica” (JOHNSON, 2001, p. 124).

Em vez de espaço, por que não organizar em torno de significado? Talvez toda a ideia da existência dos documentos num lugar físico – num pasta, digamos, ou no desktop – não passe de uma herança vazia das limitações do mundo real levada adiante desnecessariamente” (JOHNSON, 2001, p. 124).

[Acerca da inteligência artificial] Precisamos de mapas rodoviários melhores do espaço-informação, não de um melhor serviço de entrega” (JOHNSON, 2001, p. 139).

Mas ir além desse modelo de eficiência e ver a interface gráfica como um meio de comunicação tão complexo e vital quanto o romance, a catedral ou o cinema – esta é uma proposta que ainda precisamos nos acostumar” (JOHNSON, 2001, p. 154).

[No passado] O que importava era o espaço. Tudo o mais era acidental” (JOHNSON, 2001, p. 160).

Referências
JOHNSON, Steven. Cultura da Interface: Como o Computador Transforma nossa Maneira de Criar e Comunicar. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2001.

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