De Onde Vêm as Boas Ideias de Steve Johnson

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De Onde Vêm as Boas Ideias de Steve Johnson
De Onde Vêm As Boas Ideias

Em De Onde Vêm as Boas Ideias, Steve Johnson apresenta seu longo estudo sobre os ambientes que fomentam as ideias criativas e inovadoras.

Como resultado de seu estudo, Steve Johnson mostra vários exemplos de como ambientes abertos e com maior multiplicidade de conhecimentos alcançam maior inovação e capacidade inventivas.

Uma obra fundamental para compor a biblioteca de qualquer designer, seja para aplicar em seus projetos, tornando-os melhores, seja para aplicar em sua vida para se tornar um profissional melhor.

Citações selecionadas

Se há uma única máxima que percorre todos os argumentos deste livro, é que em geral somos mais bem-sucedidos ao conectar ideias do que ao protegê-las” (JOHNSON, 2011, p. 24).

Boas ideias podem não querer ser livres, mas querem se conectar, se fundir, se recombinar. Querem se reinventar transpondo fronteiras conceituais. Querem tanto se completar umas às outras quanto competir” (JOHNSON, 2011, p. 24).

Boas ideias não surgem do nada; são construídas a partir de um grupo de partes existentes, cuja combinação se expande (e, às vezes, se contrai) ao longo do tempo” (JOHNSON, 2011, p. 34).

O truque é descobrir maneiras de explorar os limites de possibilidade ao nosso redor. Isso pode ser tão simples quanto alterar o ambiente físico em que trabalhamos, ou cultivar um tipo específico de rede social, ou manter certos hábitos na maneira como procuramos e armazenamos informação” (JOHNSON, 2011, p. 39).

Ambientes inovadores são melhores para ajudar seus habitantes a explorar o possível adjacente, porque apresentam uma amostra ampla e diversa de peças sobressalentes – mecânicas ou conceituais – e estimulam novos modos de recombiná-las” (JOHNSON, 2011, p. 39).

Ambientes que bloqueiam ou limitam essas novas combinações – punindo a experimentação, obscurecendo certas áreas de possibilidade, tornando o estado atual tão satisfatório que ninguém se dá ao trabalho de explorar suas bordas – irão, em geral, originar e difundir menos inovações que aqueles que estimulam a exploração” (JOHNSON, 2011, p. 39).

O segredo para ter boas ideias não é ficar sentado em glorioso isolamento, tentando ter grandes pensamentos. O truque é juntar mais peças sobre a mesa” (JOHNSON, 2011, p. 40).

Os resultados do raciocínio de uma pessoa tornavam-se o input para o raciocínio de outra… resultando em mudanças significativas em todos os aspectos do modo como a pesquisa era conduzida” (DUNBAR apud JOHNSON, 2011, p. 55).

Uma metrópole compartilha uma característica fundamental com a web: ambos os ambientes são redes líquidas e densas em que a informação flui facilmente ao longo de caminhos múltiplos e imprevisíveis” (JOHNSON, 2011, p. 65).

“[…] grandes ideias em geral vêm ao mundo mal-acabadas, mais intuições que revelações […] Por isso a maioria das grandes ideias se configura primeiro de uma forma parcial, incompleta. Elas têm a semente de algo profundo, mas falta-lhes um elemento decisivo que pode transformar o palpite em algo poderoso. E muitas vezes esse elemento que falta está em outra pessoa” (JOHNSON, 2011, p. 65).

Intuições que não se conectam estão fadadas a continuar sendo intuições” (JOHNSON, 2011, p. 66).

Por isso, parte do segredo de cultivar intuições é simples: anote tudo” (JOHNSON, 2011, p. 72).

[sobre os livros de citações] em sua forma mais comum, a prática envolvia a transcrição de passagens interessantes ou inspiradoras das obras lidas, reunindo uma enciclopédia personalizada de citações” (JOHNSON, 2011, p. 73).

Precisamos de um sistema para capturar intuições, mas não necessariamente categorizá-las, porque categorias podem erigir barreiras entre ideias díspares, restringi-las às suas próprias ilhas conceituais […] Novas ideias não florescem em arquipélagos” (JOHNSON, 2011, p. 75).

O programa [Enquire de Tim Berners-Lee] permitia ao usuário armazenar pequenos blocos de informação sobre pessoas ou projetos como nós numa rede conectada. Era fácil fixar ponteiros bidirecionais entre os nós, de modo que se o usuário clicasse no nome de uma pessoa, poderia ver num instante todos os projetos em que ela estava trabalhando” (JOHNSON, 2011, p. 76).

[…] usando a avançada tecnologia de reconhecimento de padrões que o cérebro humano possui” (JOHNSON, 2011, p. 79).

Como qualquer outro pensamento, uma intuição nada mais é que uma rede de células acendendo-se dentro de nosso cérebro num padrão organizado. Para algo mais substancial florescer, porém, essa rede tem de se conectar com outras ideias. Precisa de um ambiente em que conexões surpreendentemente novas possam ser forjadas” (JOHNSON, 2011, p. 83).

Nesse sentido, Freud compreendeu a coisa ao contrário com sua noção de interpretação dos sonhos: o sonho não está revelando de algum modo a verdade reprimida. O que ele faz é explorar, tentando encontrar novas verdades por meio da experimentação com novas combinações de neurônios” (JOHNSON, 2011, p. 85).

O trabalho do sonho mostra-se uma maneira particularmente caótica, mas produtiva, de explorar o possível adjacente” (JOHNSON, 2011, p. 85).

E o caminho mais curto para a inovação é estabelecer novas conexões” (JOHNSON, 2011, p. 90).

Trocar genes com outro organismo é mais difícil que a simples clonagem, mas as recompensas do sexo em termos de inovação superam seus riscos” (JOHNSON, 2011, p. 90).

A serendipidade requer colisões e descobertas improváveis, mas também algo em que ancorá-las” (JOHNSON, 2011, p. 91).

O DEVONThink contém um algoritmo que detecta conexões semânticas sutis entre passagens de texto distintas” (JOHNSON, 2011, p. 96).

O que é inerente à arquitetura da Web são duas características essenciais que tem sido grandes aliadas da serendipidade: um meio global e distribuído, no qual todos podem ser editores; e uma estrutura de documentos de hipertexto, em que é muito simples saltar de um artigo de jornal para um ensaio acadêmico ou para um verbete de enciclopédia em questão de segundos” (JOHNSON, 2011, p. 101).

O acerto nos mantém no mesmo lugar. O erro nos força a explorar” (JOHNSON, 2011, p. 114).

[…] boas ideias têm maior probabilidade de emergir em ambientes que contêm certa quantidade de ruído e erro […] Uma boa ideia tem de ser correta em algum nível básico, e valorizamos as boas ideias porque tendem a ter uma proporção sinal/ruído elevada” (JOHNSON, 2011, p. 118).

[Acerca da exaptação] Um organismo desenvolve um traço otimizado para um uso específico, mas depois ele é apropriado para outra função completamente diferente” (JOHNSON, 2011, p. 127).

O exemplo clássico [de exaptação], destacado no ensaio de Gould e Vrba, são as penas das aves, que, segundo se acredita, foram desenvolvidas de início para fins de regulação da temperatura [ajudar a proteger do frio]. Quando seus descendentes, entre as quais a criatura que hoje chamamos de Archaeopteryx, começaram a fazer experiências de voo, as penas se revelaram úteis para controlar o fluxo de ar sobre a superfície das asa, permitindo a essas primeiras aves planar” (JOHNSON, 2011, p. 127).

[…] a seleção natural tem o instinto do sapateiro de Nairóbi de se apropriar de peças velhas e dar-lhes novos usos” (JOHNSON, 2011, p. 129).

[…] estímulo não conduz necessariamente à criatividade. Colisões, sim – as colisões que ocorrem quando diferentes campos de conhecimento convergem num espaço físico ou intelectual compartilhado. É aí que verdadeiras centelhas voam” (JOHNSON, 2011, p. 135).

[…] indivíduos mais criativos possuíam invariavelmente redes sociais mais amplas que se estendiam além de sua empresa e envolviam pessoas especializadas em diversas áreas” (JOHNSON, 2011, p. 138).

O acaso favorece a mente conectada” (JOHNSON, 2011, p. 145).

Há muito a natureza constrói suas plataformas reciclando os recursos disponíveis, inclusive os resíduos gerados por outros organismos” (JOHNSON, 2011, p. 171).

[…] redes líquidas, intuições lentas, serendipidade, ruído, exaptação, plataformas emergentes [e reciclagem] – se adaptam melhor aos ambientes abertos, nos quais as ideias fluem por canais não regulados” (JOHNSON, 2011, p. 193).

O que torna o recife tão inventivo não é luta entre os organismos, mas o modo como eles aprenderam a colaborar – o coral, a zooxantela e o peixe-papagaio tomando emprestado e reinventando o trabalho uns dos outros. Esta é a explicação final do paradoxo de Darwin: o recife abriu tantas portas para o possível adjacente por causa da maneira como compartilha” (JOHNSON, 2011, p. 203).

Referências
JOHNSON, Steven. De Onde Vêm as Boas Ideias. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2011.

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