Design de informação: informando dados para torná-los mais eficientes e atrativos

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Design de informação

Organizar e apresentar informações de forma atrativa e eficaz não é tarefa das mais simples, engloba o domínio de muitas disciplinas diferentes para poder aperfeiçoar a exposição dos dados deixando-os mais atrativos e simples para as pessoas.

Em minha carreira como designer de informação exploro conhecimentos diferentes para projetar um espaço-informação que facilite a realização dos objetivos do interator, seja esta encontrar uma receita de bolo ou mesmo alimentar um site corporativo por meio de uma área administrativa específica.

Dentro das minhas tarefas o conceito de informação aparece constantemente, então me propus uma reflexão sobre o ato de informar e, apesar de abrangente, escolhi certas linhas de raciocínio para deixar esse conceito mais definido.

O filósofo Vilém Flusser apresentou o ato de informar como a imposição de formas claras e específicas à matéria amorfa, ou seja, in+formar a matéria bruta, ou os dados brutos, é conceder-lhe uma forma que seja representativa para nós: seres humanos.

Nesse aspecto a função do designer de informação figura como um meio para conceder formas de fácil percepção e leitura aos dados brutos, com o intuito de conceder-lhes uma estrutura mais identificável para a mente humana.

Aliados a diversas disciplinas, desenvolvemos projetos para tornar os dados menos pesados cognitivamente e mais atrativos para o interator e, o mais interessante, isso em meio a uma sociedade que produz cada vez mais dados, ou seja, mais trabalho para o designer de informação.

Um bom exemplo dessa ação são os gráficos desenvolvidos a partir de dados estatísticos, que podemos compreender como a informalização de dados brutos em uma apresentação mais clara e fácil de ser absorvida.
Para essa informalização de dados brutos vou demostrar um exemplo prático.

Gráficos como informalização de dados brutos

A partir de dados de Alberto Cairo desenvolvi a tabela 1, vista a seguir, com dez cidades aleatórias da Espanha, demonstrando a quantidade de casos de gripe por 1.000 habitantes.

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Tabela 01: Dados Brutos

Ordenada alfabeticamente, já podemos, depois de certa análise, até saber qual cidade entre as dez possui a maior quantidade de casos de gripe, porém para construir em nossa mente uma lista hierárquica dos casos já seria mais trabalho.

Mesmo que eu altere a ordenação para demonstrar a cidade com o menor número de casos seguindo até a com maior número, observada na tabela 2, ainda teríamos problemas para, por exemplo, encontrar uma cidade específica, mesmo que eu mantenha a ordem numérica dos itens associados à ordenação alfabética.

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Tabela 2: Casos de Gripe – Hierarquia por número de casos

Se com dez itens ainda não fica clara a dificuldade dessa interpretação, imagine, então, que fossem cinquenta cidades. A quantidade de dados seria muito maior dificultando bastante ler todos esses dados e extrair deles algum significado.

Aliando isso ao atual momento da nossa sociedade, que vive uma sensação de urgência e sobrecarga informacional, podemos supor que dificilmente alguém leria e montaria relatórios por si mesmo a partir desses dados brutos, a menos que fosse sua função profissional.

Observe, a seguir, esses dados apresentados em forma de gráfico (informalizado como gráfico), na figura 1, e perceba como fica mais fácil e interessante ler, relacionar os dados e fazer suposições a partir deles.
Inseri também uma linha representando a média de casos para essas dez cidades, ampliando as possibilidades de interpretações por parte do interator.

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Dados em forma de gráfico

Utilizando ainda os recursos digitais eu poderia ainda, por exemplo, apresentar esse gráfico de forma interativa e, desse modo, ampliar ainda mais o conhecimento do interator.

Imagine que, quando o cursor do mouse estiver sobre uma barra, o sistema mostre mais detalhes sobre a cidade, como visto na figura 2.

É importante pensarmos que em um primeiro momento essa informação não seria exibida, isso deixaria o gráfico com menos peso informacional à primeira vista, motivando o leitor a ler a informação do gráfico e, posteriormente, ele poderia se aprofundar interagindo com as barras.

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Dados em forma de gráfico com interação

Assim é possível perceber que o ato de informar (conceder uma forma específica a algo) realmente é a base do trabalho do designer de informação, que projeta as melhores formas para os dados brutos de acordo com seu público e com a plataforma onde esses dados serão exibidos.

Realmente não é uma tarefa simples, mas não posso imaginar tarefa mais interessante, prazerosa e necessária nesse mundo cada vez mais caótico e com mais dados para serem lidos e interpretados.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FLUSSER, Vilém; CARDOSO, Rafael e ABI-SÂMARA, Raquel. Mundo Codificado: Por uma Filosofia do Design e da Comunicação. São Paulo: Cosac & Naify, 2007.

Escrevi este artigo especialmente para o site Arquitetura de Informação.

Licença Creative Commons
Este obra de Heller de Paula, foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.

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