Design thinking e impacto social: Entrevista com Jeanne Liedtka

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Design thinking e impacto social

Design thinking e impacto social: Em entrevista Jeanne Liedtka fala de seu livro sobre como aplicar design thinking para gerar impacto social positivo.

A entrevista foi realizada pela Presidente de Práticas Transformacionais e Liderança da Singularity University, Lisa Kay Solomon e disponibilizada no site da instituição.

A entrevista ficou tão bacana que fiz uma tradução livre para compartilhar por aqui também.

Espero que curtam.

Design thinking e impacto social: Entrevista completa com Jeanne Liedtka

Jeanne Liedtka é professora de estratégia na Darden Graduate School of Business da Universidade da Virgínia, onde trabalha com estudantes e executivos de MBA em abordagens de inovação e crescimento orientadas por design.

Autora de cinco livros e de um curso on-line muito popular sobre o design thinking (pensamento do design), Liedtka é apaixonada por ajudar os líderes a aprender as habilidades, ferramentas e mentalidades de um designer colocando rotineiramente a pergunta: “O que seria diferente se os gerentes pensassem mais como designers?”

Confissão: eu mesma usei o livro de Liedtka, Designing for Growth: um kit de ferramentas de design para gerentes, como meu livro base quando ministrei o curso em fundamentos de inovação para o curso de Estratégia de Design do MBA da Universidade da Califórnia. Achei que era o livro mais abrangente e acessível sobre o tema design thinking publicado até então.

Conversei com Liedtka algumas semanas após a publicação de seu livro mais recente, Design Thinking for the Greater Good: Innovation in the Social Sector, que oferece um roteiro para instituições de setores sociais aprenderem a trazer as habilidades e ferramentas de design para seu trabalho.

Lisa Kay Solomon: O design thinking é um tópico quente hoje em dia para muitas empresas interessadas em inovação. O que é o design thinking e por que é um processo tão importante para resolver problemas sociais?

Jeanne Liedtka: O design thinking é uma abordagem para resolução de problemas com um conjunto único de qualidades: é centrada no ser humano, orientada a gerar possibilidades, focada em criar várias opções e totalmente iterativa. Fazemos a pergunta “E se qualquer coisa fosse possível?”, assim que começamos a criar ideias.

O design thinking é uma abordagem particularmente eficaz para problemas em um mundo aceleradamente incerto.

A maioria das metodologias de resolução de problemas baseiam-se na previsibilidade. Normalmente, somos ensinados a tirar dados do passado e projetá-lo no futuro. Isso não funciona muito bem quando você está tentando criar um novo futuro que não depende de informações do passado.

O design thinking pede que aprendamos nosso caminho para o futuro através de um processo de experimentação e prototipagem.

Lisa Kay Solomon: Por que essa abordagem é tão importante para o setor social?

Jeanne Liedtka: A incerteza está afetando todos os setores, mas o setor social tem um conjunto particularmente desafiador de questões complexas devido à diversidade de partes interessadas envolvidas.

Se é um hospital que tenta administrar médicos, enfermeiros, administradores, seguradoras e pacientes ou uma agência federal que trabalha com reguladores, fabricantes, grupos de defesa de clientes e distribuidores. Cada grupo tem seu próprio conjunto de necessidades e desejos que é afetado pelo outro.

Nesse cenário, muitas vezes somos confrontados com o que é conhecido como o “paradoxo da diferença”.

O paradoxo da diferença nos diz que a melhor perspectiva do pensamento vem quando invocamos um grupo de vozes diversas na conversa.

Ao mesmo tempo, apesar do potencial da diversidade, geralmente resulta em pior tomada de decisão porque não sabemos como conversar com as diferenças.

A diferença agrava-nos e leva ao que o economista Herb Simon chama de “satisficing“: em que selecionamos a menos pior das decisões em que todos concordam.

O design thinking é um processo de resolução de problemas que reúne conversas entre o que é diferente, de modo que possamos ultrapassar o “satisficing” e, na verdade, alavancamos as diferenças para encontrar soluções melhores do que qualquer um conseguiria individualmente.

Lisa Kay Solomon: Quais são os principais estágios do design thinking?

Jeanne Liedtka: O processo de design trata de quatro questões muito básicas, que correspondem às quatro etapas do projeto: O que é? E se? O que gera? O que funciona?

O que é explorar a realidade atual; E se prevê um novo futuro; O que gera faz algumas escolhas; O que funciona nos leva ao mercado.

O alargamento e o estreitamento das bandas em torno de cada questão representam o pensamento “divergente” e “convergente”.

Nas primeiras partes do processo, estamos ampliando progressivamente o nosso campo de visão, olhando o mais amplamente possível para evitar ser preso pelo nosso problema usual. Isso é um pensamento divergente.

Depois de gerarmos um novo conjunto de conceitos, começamos a reverter o processo através da convergência – reduzindo progressivamente nossas opções para as mais promissoras.

Lisa Kay Solomon: O que é necessário para que o processo funcione bem?

Jeanne Liedtka: Outra característica do processo de design thinking é que ele requer empatia – uma compreensão profunda daqueles para quem você está projetando; invenção – a capacidade de criar algo novo; e iteração – a vontade de experimentar e testar idéias com freqüência e regularmente para aprender e melhorá-las ao longo do tempo.

Também requer que as pessoas se importem e estejam dispostas a conversar com outras pessoas que são diferentes do que elas são.

Isso não significa que elas tenham de aceitar voluntariamente qualquer solução. Mas elas têm que se preocupar colaborativamente com um problema e estarem abertas a entender por que outras pessoas se sentem do jeito que elas se sentem – em vez de vender a sua própria solução.

O design thinking requisita que as pessoas que se sintam confortáveis ​​sem saber qual é a resposta e estarem abertas para não saber qual é a pergunta também.

Temos que tratar tudo o que pensamos que conhecemos como hipóteses. É aí que os modelos mentais entram.

A maioria de nós cresce sendo ensinado que ser inteligente é o mesmo que estar certo. E ter a confiança para não saber, mas, em vez disso, aprender é muito desafiador, especialmente para as pessoas que valorizam decisões e ações pragmáticas.

Elas querem ir imediatamente para as soluções, e a melhor maneira de alavancar a diferença é começar por desenvolver uma visão compartilhada do problema, baseada em fatos e centrada no cliente.

Como o famoso pensador de sistemas Peter Senge disse: “Debater no nível de soluções nunca nos levará a lugar algum”.

Lisa Kay Solomon: Que sugestões você tem para os líderes que usam essa metodologia para ajudar a acelerar mudanças positivas?

Jeanne Liedtka: As organizações mais bem-sucedidas fazem do design thinking uma parte da conversa que acontece enquanto o trabalho é feito.

Elas permitem às pessoas que querem experimentar esses métodos, a experimentá-los e demonstrar aos outros que vale a pena leva-los a sério.

Para reforçar essa forma de trabalhar dentro das atuais práticas de trabalho das pessoas, elas precisam de tempo, treinamento, orientação e acompanhamento.

Um hackathon de um dia sobre o design thinking pode criar entusiasmo, mas é apenas o começo do que precisamos fazer. Não é o fim.

Referências
Singularity Hub; Imagem: Tithi Luadthong / Shutterstock.com;

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