Duane Michals mistura o fantástico e o surrealismo para construir fotografias provocantes

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Nada como se deliciar no mundo visual construído pela mente sagaz de Duane Michals, o fotógrafo estadunidense, nascido em 18 de fevereiro de 1932, que se apaixonou e se dedicou ao poder que a fotografia tem para contar histórias.

Indo além do simples registro do momento, Duane se utiliza de fotos sequenciais e até de textos escritos por ele em seus registros visuais, para contar mais do que a embalagem mostra. Seu objetivo, claro, é desvendar o porquê presente em cada cena, em cada captura.

Com construções que namoram com o surrealismo e com o fantástico, o artista extrai emoção do inanimado, brinca com assuntos difíceis (como a morte, por exemplo) e coloca versões de si mesmo e de outras personalidades como objeto de estudo e representatividade. Com isso provoca nossa mente a reorganizar o que conhecemos em busca de um significado, este normalmente inquietante e irresoluto.

Apesar de (eu ver) seu trabalho como algo denso e complexo (no sentido da leitura e interpretação), a personalidade do artista parece leve e divertida, pelo menos às vezes, como é possível ver nesse curto vídeo-documentário do artista.

Um aspecto do fotógrafo de que eu gosto muito é sua visão a respeito da importância do “eu interior”, das emoções pessoais que temos em nossos “infinitos particulares”, sendo que estas nem sempre são boas, positivas ou, simplesmente, alegres. Isso pode ser observado em suas palavras:

A melhor parte de nós não é o que vemos, é o que sentimos. Nós somos o que nós sentimos. Nós não somos o que nós olhamos. Nós não somos os nossos olhos, nós somos nossa mente.

As pessoas acreditam em seus olhos e eles estão totalmente errados. É por isso que eu considero a maioria das fotografias extremamente chatas, assim como Muzak, inofensivo, charmoso, outra cachoeira, outro pôr do sol. Desta vez, as cores foram adicionadas para proteger os inocentes. É apenas chato.

Mas toda essa área de sua experiência, a dor, a solidão, como você fotografar luxúria? Quero dizer, como você lida com essas coisas? Isto é o que você é, não o que você vê.

Está tudo sentado aqui em cima. Eu poderia fazer todo o meu trabalho sentado no meu quarto. Eu não tenho de ir a qualquer lugar. (Tradução livre, original em inglês aqui)

Essa visão, essa busca do artista foi um dos motivos pelos quais eu fiquei encantado com seu trabalho, porém devo assumir que a proximidade de suas obras com referências expressionistas e mesmo o surrealismo e o fantástico são temáticas que eu gosto muito.

Abaixo, algumas fotos que eu gosto, das quais a sequência final (Madame Schrodinger’s cat) é minha favorita, acredito que pela sua relação com a teoria do Gato de Schrödinger, com a qual eu também tenho afeição.

Referências
Duane Michals Tumblr;

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