Gestalt: Um resumo das oito leis da psicologia da forma

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Gestalt: Um resumo das oito leis da psicologia da forma responsável por facilitar a estrutura de informações e transmitir conteúdo para usuários.

A Gestalt

A Gestalt é uma ciência que estuda a maneira como nossa mente interpreta os estímulos visuais que nos rodeiam.

Pelas leis estabelecidas nesta ciência podemos compreender as maneiras como observamos e interpretamos as figuras captadas pelo nosso sistema visual.

De acordo com a Gestalt, a arte se funda no princípio da pregnância da forma. Ou seja, na formação de imagens, os fatores de equilíbrio, clareza e harmonia visual constituem para o ser humano uma necessidade e, por isso, são considerados indispensáveis – seja em uma obra de arte, num produto industrial, numa peça gráfica, em um edifício, numa escultura ou em qualquer manifestação visual (FILHO, 2009, p. 17).

De acordo com FILHO (2009), temos oito leis na Gestalt que criam o embasamento para o estudo da leitura visual e nos ajudam a construir imagens plásticas dotadas de pregnância.

A seguir, apresento resumidamente essas leis.

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1. A pregnância da forma

A pregnância da forma é a lei básica da Gestalt, e diz que a construção da forma deve possuir uma estrutura simples, equilibrada, homogênea e regular.

A forma deve apresentar harmonia, unificação, clareza e um mínimo de complicação visual em sua organização.

Essa organização deve prezar por uma estrutura que proporcione fácil compreensão e rapidez de leitura ou interpretação.

A Gestalt também apresenta os comportamentos automáticos da mente para que estes sejam usados na construção dessas formas mais claras.

2. A unidade

O primeiro conceito definido na Gestalt é a unidade, pois ela é o principal elemento para facilitar na interpretação da forma.

A unidade é todo elemento possível de ser compreendido como um só e segregado daquilo que o cerca, mesmo que ele seja composto de várias outras partes.

Na imagem ilustrativa de uma partida de futebol, por exemplo, a bola é uma unidade, uma vez que se encerra em si mesma e se separa dos elementos que a cercam, como os jogadores, o campo, a torcida e etc.

Porém, cada hexágono da bola pode ser compreendido como uma unidade à parte em um leitura mais próxima.

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Imagem de jogo de futebol ilustrativo

3. Unificação

É pela nossa capacidade de unificação que conseguimos perceber as unidades. Ela fala da nossa propensão a interpretar certos elementos como sendo de um mesmo grupo.

É essa capacidade que nos faz perceber unidades complexas, compostas de vários elementos.

Na imagem dos jogadores, por exemplo, percebemos os jogadores de um mesmo time pelos elementos visuais que indicam sua familiaridade, como a cor de seu uniforme.

Mesmo se colocássemos jogadores de futebol e jogadores de basquete juntos, veríamos grupos distintos aferindo cada um ao seu respectivo esporte devido as características visuais que compartilham como a altura, o porte físico e o tipo de uniforme.

4. Semelhança

Como vimos, um fator que contribui para unificação dos elementos é a semelhança entre eles.

Características visuais idênticas ou próximas nos induzem a interpretá-los como pertencentes a uma mesma família.

5. Proximidade

Tendemos a interpretar elementos próximos como sendo do mesmo grupo, portanto eles costumam ser vistos como unidades ou parte específicas de uma unidade.

Quando unida à semelhança, essa capacidade da interpretação visual fica ainda mais forte e facilita a interpretação da forma.

6. Continuidade

A continuidade fala sobre nossa preferência por formas sem interrupções, garantindo maior fluidez, o que facilita nossa mente a prever o movimento da forma.

Assim, a continuidade fluída é preferível por ser mais estável estruturalmente e, portanto, parecer mais agradável.

O formato do ovo, por exemplo, tem uma estrutura mais fluída e sem interrupções bruscas, por isso seu formato tende a ser interpretado de forma mais agradável.

Já formas quadradas tem rompimentos angulares agudos e tendem a ser vistas com mais severas e menos agradáveis, por terem seu movimento menos claro para nossa interpretação.

7. Fechamento

Nossa interpretação visual tende naturalmente para o estabelecimentos de unidades, uma vez que isto facilita nosso entendimento da forma.

Dentro dessa capacidade, tendemos sempre a buscar o fechamento visual de imagens abertas ou vazadas.

Quando a imagem têm continuidade fluída, podemos facilmente fazer o fechamento visual de uma imagem vazada e assim conceder à ela um significado.

Neste sentido, novamente a proximidade e semelhança contribuem para facilitar seu fechamento visual.

8. Segregação

Outro aspecto que contribui para interpretação da unidade é a segregação.

A segregação é a capacidade de separar as unidades de uma imagem. A quantidade de segregações que fazemos depende da complexidade e do tempo de observação diante daquilo que vemos.

Ainda no caso do futebol, por exemplo, podemos segregar diversos elementos dentro de uma partida. Como a própria bola, os jogadores e a torcida.

A segregação da bola se dá pela sua própria forma, já entre os jogadores, além de sua constituição humana, podemos segregá-los pelas cores de seus uniformes, por exemplo.

Em análise mais profunda, cada uma dessas unidades pode ser segregada em mais unidades, como os hexágonos da bola.

A aplicação dessas leis ajudam a compor imagens mais fáceis de serem lidas ou interpretadas, que é o objetivo final da Gestalt.

Algumas técnicas visuais ajudam a usar as leis de forma mais consciente, como, por exemplo, o contraste de cores, assimetria e simetria, harmonia e desarmonia, entre outros.

O importante é ter em mente que a leitura visual passa por essas leis ao tentar compreender os estímulos visuais e assim fazer escolhas ou tomar decisões.

Referências
Revista Galileu; Psicologias;
FILHO, João Gomes de. Gestalt do Objeto: Sistema de Leitura Visual da Forma. 9. ed. São Paulo: Escrituras, 2009.

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